TRI é uma modelagem estatística criada para mensurar
características que não podem ser medidas diretamente por meio de
instrumentos apropriados, como ocorre com altura e peso.
Como não há nenhum aparelho que possa medir, por exemplo, a proficiência
de um estudante em matemática ou a intensidade da depressão de uma
pessoa, foram criadas formas de avaliação indireta. Essas
características são chamadas de traço latente ou construto.
Essa medida indireta se dá a partir de respostas apresentadas a um
conjunto de itens, elaborados de modo a formar um instrumento de medida
que possa permitir a sua quantificação de modo fidedigno.
Exemplo:
Exemplo:
| Traço latente | Instrumento de medida |
| Proficiência em matemática | Prova de matemática |
| Depressão | Inventário de depressão de Beck |
A TRI foi desenvolvida apenas nos anos 50. Antes disso, a
proficiência era avaliada exclusivamente por meio da Teoria Clássica das
Medidas, que consiste em atribuir notas a partir do número de acertos,
descontados os erros. Dessa forma, na Teoria Clássica, só é possível
comparar desempenho de estudantes que tenham feito as mesmas provas.
Nessas provas, que utilizam escore, os resultados encontrados dependem
do conjunto de itens (questões) que compõem a prova. É como se a altura
de uma pessoa dependesse da fita métrica ou o peso dependesse da
balança. Assim como o peso e a altura, a proficiência também está no
indivíduo – e não no instrumento utilizado para aferir a medida.
Em provas elaboradas dentro da TRI, o traço latente (proficiência) pode
ser inferido com maior precisão. Dessa forma, se uma mesma pessoa se
submeter a duas provas diferentes – desde que as provas sejam elaboradas
com os padrões exigidos de qualidade – ela obterá a mesma nota. Ou
seja: o conhecimento está no indivíduo, não no instrumento de medida.
Não há, portanto, quando se utiliza a TRI, prova fácil ou difícil.
Uma das grandes vantagens da TRI sobre a Teoria Clássica é que ela
permite a comparação entre populações, desde que submetidas a provas que
tenham alguns itens comuns, ou ainda, a comparação entre indivíduos da
mesma população que tenham sido submetidos a provas totalmente
diferentes. Até a edição de 2008, a prova do Enem era um bom instrumento
de comparação em cada edição – mas as notas não eram comparáveis nas
diferentes edições.
Até mesmo o acerto casual (chute) é previsto na TRI. Tomando como
exemplo uma prova do Enem de 45 questões, que permitem acerto casual:
se duas pessoas acertarem 20 questões – se não forem as mesmas 20
questões – dificilmente elas terão a mesma nota. Não porque uma questão
tenha ‘peso’ maior que a outra, mas porque o sistema está montado de
forma que quem acertou itens dentro de um padrão de coerência tenha
notas melhores. Há um algoritmo estabelecido para cada traço que o item
deverá medir.
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Fontes:
http://portal.inep.gov.br/c/journal/view_article_contentgroupId=10157&articleId=76814&version=1.1
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,metodo-de-correcao-do-enem-ainda-confunde-estudantes,931166,0.htm











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